CONHEÇA UMA MINI CASA SUSTENTÁVEL E OFF GRID

Uma Tiny House no meio da mata, inteiramente construída pela família que a habita, desconectada dos serviços de água e energia elétrica, e totalmente conectada a natureza exuberante que a cerca.

Conheça a história inspiradora de mudança de vida da Sabrina e do Lucas, contada por eles mesmos! E fique sabendo como eles tomaram a decisão de construir a própria casa de maneira sustentável, mesmo sem ter experiência nenhuma com construção. 

"A vontade de girar a chave e sair do piloto automático já é velha conhecida nossa. Trocar nosso tempo por boletos já não nos bastava. A gente sabia que tinha algo a mais do outro lado do muro que limita nossas escolhas. Mas como mudar? Como soltar as amarras que nós mesmos vestimos, as desculpas que criamos toda a vez que a vida a nos chama para viver?

Nosso plano foi complexo e ele tinha que começar por um ponto principal: transformar nossos trabalhos em algo que não nos trancasse em um escritório 8 horas por dia. Abrimos mão de toda a nossa “estabilidade” em troca de um gigante nada, uma sensação angustiante de incerteza e uma enorme força para fazer acontecer. Lembramos muito bem de uma conversa decisiva onde pesamos duas escolhas: ir morar no meio do mato e construir nosso refúgio, ou colocar duas mochilas nas costas e sair sem muito planejamento pelo mundo. Mesmo sem saber como pagar nenhum dos dois.

18 países depois, caminhadas que dariam duas voltas pela terra, incontáveis horas dentro de aviões, ônibus, barcos, trens, tuktuk e muitas, muitas histórias registradas em nossa alma, finalizamos um ciclo que nos ensinou a viver com muito menos, desapegar do material (e até do excesso de higiene), trabalhar online de qualquer lugar do mundo (desde que haja internet) e principalmente confiar que sempre dá certo quando as decisões são tomadas com felicidade.

Viajar nos fez entrar em contato com outros estilos de vida e culturas que mudaram nossos filtros, nossa forma de olhar para o mundo e para nós mesmo, nos ensinou a lidar com o ócio, nos deu tempo para pensar, ou pra parar de, nos trouxe momentos em que a felicidade era tanta que transbordamos de um jeito inexplicável. Mas principalmente, nos fez enxergar o quanto valorizamos, com muito mais força, às relações que construímos, nosso lugar, a terra que nos criou. Viajar nos deu coragem para viver o novo, para nos aventurarmos por caminhos desconhecidos e aprender a agradecer.

bio construção

Foi aí que voltar fez todo o sentido. E aquele sonho de construir nosso refúgio no meio da mata ganhou espaço e dedicação total. Todas as peças se encaixaram e dois meses depois da nossa volta encontramos a terra que sentimos pertencer: afastada o suficiente para vivermos em paz, perto o bastante para ser possível. Estamos a 5km de uma pequena, bem pequena cidade e a 30km da nossa cidade natal, Bento Gonçalves - RS.

Com malabarismos inacreditáveis, conciliamos durante 7 meses, muito trabalho para pagar as parcelas, muita força para erguer paredes, equilíbrio para construir um telhado, milhares de pregos e nenhuma experiência, sim, somos do tipo “aqui se faz, aqui não se paga”, em níveis extremos. E quando digo sem experiência, é sem mesmo!

Somos dois curiosos, que não têm medo de aprender. O que não sabemos, pesquisamos muito, conversamos com quem sabe e nos informamos com o Youtube.

Depois de passar quase 1 ano com todos os nossos pertences em duas mochilas de 7kg cada, a decisão por uma tiny-house era óbvia. Para que tanto espaço interno, sendo que o que queríamos era justamente o contato com o externo, a natureza que nos abraça?

casa wood frame construção seca

Nosso projeto nasceu com a inspiração do movimento tiny-house, porém preferimos deixar ela fixa, o que nos permitiu aumentar um pouco as medidas. Hoje ela tem 27m² mais 15m² de mezanino.

Além disso, conseguimos aplicar algumas técnicas de bio-construção: todo o alicerce foi feito de terra ensacada (superadobe), num processo que levou 2 meses para ser concluído e nossas costas também. Depois, partimos para a estrutura de wood-frame, utilizamos caibros de eucalipto, tratado com óleo queimado de descarte, fechamento das paredes de OSB e Home Wrap (tyvek), camadas de isolamento térmico e proteção contra chuva.

 

casa de wood frame e bioconstrução

Já na parte interna, optamos por um visual mais limpo com gesso acartonado nas paredes e teto, deixando mais destacado os acabamento em preto do fogão a lenha, esquadrias e corrimão do mezanino e madeira em tom natural do assoalho de pinus e algumas decorações que ainda vão nascer. No externo madeiras brutas de eucalipto na horizontal, dando um ar de cabana, mais ainda quando vista em seu habitat: a mata.

E é justamente por estarmos no meio da mata, optamos por não ter conexão com serviços externos, exceto pela internet via fibra ótica, que conseguimos trazer até aqui. Assim, nossa tiny/cabana é 100% off-grid. Com um sistema solar de 2.6Kw e algumas baterias estacionárias, todas as nossas necessidades de energia são atendidas, e há 7 meses vivendo nesse novo formato, aprendemos a montar um sistema de geração de energia solar do zero, toda parte de armazenamento e distribuição da mesma para a casa, sem auxílio de profissionais, o que nos fez olhar com novas perspectivas para o nosso consumo de energia. Uma tomada não é só uma tomada.

Em janeiro deste ano, com a casa ainda muito bruta, sem qualquer tipo de conforto, dormindo numa barraca com um colchão de ar, nos mudamos oficialmente. Desde então cada dia é uma nova experiência, viver dessa maneira nos mostra que não temos controle de nada.

casa de wood frame

Em paralelo a construção da casa, nossa agrofloresta foi nascendo, muitas árvores nativas e frutíferas vão sendo plantadas, já colhemos muita coisa nessa terra que vem sendo cuidada com muito carinho e atenção. Já recuperamos nascentes que estavam esquecidas e estamos com o projeto de coleta e tratamento da água da chuva sendo concluído. Como escolhemos fazer parte desse ecossistema ao invés de competir com ele, todos os nossos resíduos são tratados aqui mesmo, com bacia de evapotranspiração para as águas negras (vaso sanitário), ciclos de bananeiras para a reciclagem das demais águas da casa (pias, chuveiros, lavanderia) e composteira para os resíduos orgânicos, que se transformam em um solo rico em bactérias e super fértil.

Em meio a essa abundância toda, fomos presenteados com a maior mudança: nosso filhote, que ainda está no ninho, resolveu que aqui seria um bom lugar para ele nascer e se desenvolver!

casa no campo

Hoje todas as nossas escolhas fazem sentido, cada passo que decidimos dar nos trouxe para essa realidade: intensa, transformadora, que nos desconstrói diariamente, mas extremamente feliz!"

 

Acompanhe esse projeto lindo pelo perfil deles no Instagram @ConstruirMemorias

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